Disseste-me que me deixasse levar pela fantasia. Pela ideia de estar entre os braços de alguém que não tu. Sê tu. A mulher sensual e erótica. Eu acedi e deixei-me envolver pela vontade de estar com alguém diferente daquele com quem partilho a minha cama.
Vi-me debruçada no sofá com a boca dele entre as minhas coxas. O meu suor nas suas faces. Agarrava-me com a ansiedade presa na ponta dos dedos, cravados como fogo na carne. Cabelo revolto e olhar pardo, fundido no prazer que sentia pelo prazer que me dava. De pernas enroladas no corpo dele, sentia o teu olhar cravado na volúpia da minha pele. Alucinação apenas. Entre as quatro paredes apenas eu, ele, um sofá e um tapete.
Do desejo eram os contos que me sussurrava sopros na carne. Da luxúria era o convite que os meus olhos lhe lançavam. Dentro de mim. É onde te quero. E ele veio. Com o seu desejo. Com o corpo húmido e latejante. Com a força e o poder para me subjugar ao que ambos queríamos. Entrou em mim, como quem desbrava sonhos. Tirou-me do sofá, cravada no seu corpo, elevando-me do chão, presa pelas suas mãos. Pelo movimento. Forçava em mim a vontade. Dobrava-me. Penetrava-me. Todos os meus sentidos concentrados nos corpos unidos e na volúpia do sexo.
É assim que me queres? Solta para me entregar a quem eu queira?
Entrego-me. Envolvo-me noutro corpo que não o teu. Desejo-o. Fodo-o a ele não te desejando a ti. Não pensando no teu corpo, nem na tua boca. Mas apenas nele. Porque é ele que eu quero apertado entre as minhas coxas. Debruçado nas minhas costas. Preso dentro do meu corpo. De sorriso colado na minha nuca.
Vou ser dele como ele vai ser meu. Por minutos, horas, dias. O tempo que for necessário para satisfazer o desejo de o ter. Sem pensar em ninguém. Nem em ti.


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